
O Estado de São Paulo registrou 215 casos de caxumba em 2015. O número já representa um aumento de 82% em relação a todo ano passado, quando foram confirmados 118 casos da doença. O balanço é da secretaria estadual de Saúde e os casos foram registrados do início do ano até o dia 6 de outubro. O ministério da Saúde não tem balanço do país pois a notificação não é obrigatória.
Neste ano, já foram contabilizados 36 surtos e duas mortes por complicações da doença no estado. De acordo com o médico Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Emílio Ribas, a situação não é alarmante e o aumento ocorre por causa da falta de imunização das pessoas contra a doença.
Segundo o especialista, a doença, que antes era comum em crianças, vem atingindo cada vez mais a população jovem e adulta, que não teria tomado a segunda dose da vacina porque ela foi incluída no calendário infantil apenas em 2004. Desde então, os bebês são vacinados aos 12 e aos 15 meses, com as duas doses, respectivamente.
Grande parte da população jovem e adulta de hoje não tomou a segunda dose. "A única forma de prevenir é com a vacinação. Por isso, a recomendação é que todos que desconhecem ou sabem que não tomaram a segunda dose, procurem orientação em um posto de saúde", ressaltou o médico.
"Quando um caso acontece em uma região onde as pessoas não estão devidamente imunizadas, a tendência é que outras pessoas se contaminem, porque a transmissão da doença é muito fácil. Mas não há motivos para preocupação porque raramente a caxumba evolui para algo mais grave", afirmou. Nos casos mais graves, a doença pode evoluir para meningite ou encefalite, e raramente para morte.
"Acordei inchada e com uma dor horrível"
A falta da segunda dose da vacina foi o que levou a técnica em podologia Paula Cavalheri, 42, a contrair a doença. Depois de amanhecer com uma dor insuportável e a parte inferior do rosto todo inchado, Paula procurou um hospital e foi diagnosticada com caxumba. Só então ela se lembrou que não havia tomado a segunda dose da vacina, na infância.
"Foi de repente, acordei inchada e com uma dor horrível. Depois do diagnóstico fiquei em casa em repouso e isolada para não transmitir a doença para ninguém. Mas minha filha de quatro anos dormiu comigo e não foi contaminada porque tinha tomado as duas doses", contou.
O isolamento, segundo Gorinchteyn, é a medida mais indicada para evitar a contaminação de outras pessoas. "O contágio é muito fácil. Ocorre pelas vias aéreas, por meio de secreções, espirro, tosse e saliva. Como o contato é de pessoa a pessoa, o ideal é que as pessoas sejam mantidas em isolamento e não tenham atividades profissionais, como ir à escola ou à faculdade", explicou Gorinchteyn.
Sintomas
O período de incubação demora de sete a dez dias e os sintomas são febre, dores para mastigar ou falar e o clássico inchaço na região do maxilar, causado pela inflamação das glândulas salivares parótidas. A contaminação é mais comum no inverno ou no começo da primavera.
Somente na região de Campinas (a 93 quilômetros de São Paulo), onde Paula mora, foram registrados ao menos 167 casos. Destes, 70 em Campinas, 52 em Hortolândia, 24 em Sumaré e 21 em Americana. Em todos os municípios, o bloqueio contra a doença é feito de imediato, assim que as autoridades de Saúde são notificadas.
A exemplo do que ocorre no estado, em Campinas, o Devisa (Departamento de Vigilância em Saúde) informou que os casos se dividem em nove instituições de ensino de adultos jovens, com idades entre 18 e 22 anos.
Segundo a diretora do departamento, Brigina Kemp, o surto é o primeiro desde 2007 na cidade e em todos os casos já foram feitas ações de bloqueio com vacinas enviadas pelo Ministério da Saúde. A imunização inclui todos os alunos, docentes e funcionários de escolas ou faculdades que estudam no mesmo horário do infectado.
"É importante que todos os casos sejam notificados, mas não há motivo para preocupação, uma vez que a doença não costuma evoluir para complicações", disse Brigina.
Fonte: UOL Notícias
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