quinta-feira, 19 de novembro de 2015

França confirma que mentor dos ataques foi morto em Saint-Denis

Do UOL, em São Paulo

Foto sem data mostra o belga Abdelhamid Abaaoud, suspeito de ser mentor dos ataques terroristas em Paris, morto ontem em ações policiais em Saint-Denis

Autoridades da França confirmaram nesta quinta-feira (19) que Abdelhamid Abaaoud, suposto mentor dos atentados em Paris, foi morto ontem nas ações antiterror em Saint-Denis, ao norte da capital francesa. 
De origem belga, o corpo do jihadista foi "fortemente identificado após comparação de traços papilares", anunciou hoje a Procuradoria da República em Paris, de acordo com informações da imprensa francesa.
Segundo o comunicado da Procuradoria, houve compatibilidade nas impressões digitais de Abdelhamid Abaaoud. 
O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, logo depois da confirmação, elogiou a polícia e chamou Abaaoud de "cérebro dos ataques". 
"Eu quero agradecer o trabalho excepcional de nossos serviços de inteligência e da polícia", disse Valls.
Abaaoud estava no imóvel que foi alvo das ações da polícia em Saint-Denis, a norte de Paris, entre a madrugada e a manhã de ontem. "Foi o corpo que encontramos no prédio, coberto de balas", diz a Procuradoria. Até esta confirmação, não se sabia se ele estava mesmo no local onde as buscas foram realizadas.
Em um primeiro momento, acreditava-se que ele estava na Síria, país onde os atentados a Paris na última sexta-feira (13) teriam sido planejados. O rumo das tentativas de localizá-lo mudou a partir do momento em que foi encontrado um celular, perto de um dos locais onde os ataques ocorreram, que dava pistas de que o belga estaria em solo francês.
Dezenas de policiais fizeram um cerco a um imóvel em Saint-Denis, nesta quarta-feira, com explosões e tiroteios registrados a partir de 4h20, no horário local.
Uma mulher que estava em um dos apartamentos do prédio cercado acionou explosivos que mantinha presos ao seu corpo e se suicidou. A agência de notícias Associated Press (AP), citando três oficiais da polícia francesa, afirma que ela era Hasna Aitboulahcen, prima de Abaaoud. Só havia rumores, por enquanto, sobre seu parentesco com o terrorista. 
Durante as ações policiais em Saint-Denis, diz a AP, foi perguntado a Hasna onde estaria seu namorado. A resposta teria sido: "ele não é meu namorado", se suicidando em seguida.
A agência também afirma que os corpos ficaram fragmentados, o que dificultou bastante a identificação.
Oito pessoas foram presas, todas sob suspeita de ligação com os terroristas. Até o momento, não foram divulgadas suas identidades.

Nascido europeu, jovem era considerado terrorista

Abdelhamid Abaaoud nasceu em 1987 e morou no bairro de Molenbeeck, subúrbio de Bruxelas (Bélgica). Segundo as investigações, ele era o líder de uma célula terrorista que pretendia agir em território belga logo após o ataque ao semanário francês "Charlie Hebdo", em Paris, no começo deste ano. O grupo foi descoberto em Verviers (Bélgica), dias depois do atentado.
Alvo de um mandado de busca e apreensão, Abaaoud estava desaparecido desde então.
No início de 2014, jornais belgas divulgaram que ele teria levado para a Síria seu irmão Yunis, de 13 anos, apelidado na época de "o jihadista mais jovem do mundo".
Abaaoud também apareceu em um vídeo de propaganda do Estado Islâmico, com barba pré-púbere e um turbante do tipo afegão, dirigindo uma caminhonete arrastando corpos mutilados. Diante da câmera, ele se diz orgulhoso de cometer atrocidades.
De acordo com o jornal flamengo "De Morgen", Abaaoud tinha o perfil de um jovem de classe média e foi enviado pelo pai a um excelente colégio no sul de Bruxelas.
"Tínhamos uma vida muito boa, uma vida fantástica, eu diria. Abdelhamid não era uma criança difícil e havia se tornado um bom comerciante. Mas, de repente, ele foi para a Síria. Nunca recebi qualquer resposta", disse seu pai em janeiro, Omar Abaaoud, ao jornal belga "Dernière Heure".
A família chegou à Bélgica há 40 anos.
"Abdelhamid envergonhou a nossa família. Nossas vidas foram destruídas", afirmou. "Por que, em nome de Deus, ele mataria belgas inocentes? Nossa família deve tudo a este país." (com agências de notícias internacionais)

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