sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Pernambuco tem apenas três deputados negros

Brancos ainda são maioria entre os representantes do Estado no Legislativo


Na Alepe, Ossésio Silva (PRB) diz já ter sofrido com preconceito na hora de pedir voto / Foto: Rinaldo Marques/Alepe

Na Alepe, Ossésio Silva (PRB) diz já ter sofrido com preconceito na hora de pedir voto

Foto: Rinaldo Marques/Alepe


Construido a partir da sociedade açucareira escravocrata, Pernambuco não tem nenhum deputado federal negro, segundo a declaração dos próprios parlamentares eleitos à Justiça Eleitoral no ano passado. Além disso, apenas três dos 49 integrantes da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) se auto-denominam negros: Edilson Silva (PSOL), Manoel Botafogo (PDT) e Ossésio Silva (PRB). De acordo com o IBGE, 5,4% da população de Pernambuco afirma ter a cor da pele preta.

Compondo 36,6% da população pernambucana, os brancos são maioria expressiva entre os parlamentares pernambucanos: 60% da bancada federal e 57% da bancada estadual. Os pardos, categoria que compõe mais da metade dos 8,8 milhões de pernambucanos são o segundo grupo mais representado no cenário político pernambucano.

Para Ossésio Silva, os políticos negros são alvo do preconceito no período eleitoral. “Como é velado, você percebe as vezes quando vai pedir um voto que a pessoa lhe olha de forma diferente. Eu já ouvi muita gente dizer assim: ‘Ele é até bonito, simpático, mas é negão, né?’ A maneira como as pessoas falam é muito discriminatória”, conta. Apesar de achar lamentável a baixa presença de negros no Legislativo, ele acredita que os negros precisam se unir e se valorizar para ganhar espaço na política. “O Brasil pode ser muito melhor. E muito mais igualitário”, sonha. 

Dos 1.627 candidatos eleitos no ano passado em todo o país, 1229 se declararam brancos, o equivalente a 76% do total de eleitos. Em comparação, 342 políticos que venceram a última disputa afirmaram ser pardos e apenas 51 se declararam negros. Juntos, pretos e pardos representam 50,7% da população brasileira. Em 2014, pela primeira vez, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pediu aos candidatos que afirmassem sua cor e raça ao registrar a candidatura.

“Essa sub-representação está em todos os espaços de poder. Não só no legislativo, mas também no Executivo. Quantos governadores e governadoras negros existem no país? Se você for para o Judiciário, os cinco dedos da sua mão são muito para contar o número de magistrados no Supremo Tribunal Federal”, afirma Vera Baroni, coordenadora da Sociedade das Mulheres Negras de Pernambuco (Uiala Mukaji). Na visão dela, só no longo prazo e com muito esforço será possível superar o racismo na sociedade brasileira.

Fonte: Jornal do Commercio

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