quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Peritos fazem reconstituição da morte do garoto da Praça da Sementeira

Recomposição dos fatos começou por volta das 10h e foi até meio-dia.  População acompanhava a ação e expressava palavras de revolta.

Do G1 Petrolina

Emvolvidos na morte de Pedro Wallysson participam de reconstituição (Foto: Amanda Franco/G1)

Envolvidos na morte de Wallysson Pedro participam de reconstituição (Foto: Amanda Franco/G1)

Peritos da Polícia Civil realizaram na manhã desta quinta-feira (3) a reconstituição da morte do garoto Wallyson Pedro, de 9 anos. Ele foi assassinado após ter sofrido abuso sexual no dia 12 de outubro quando brincava em uma comemoração no Dia das Crianças na Praça da Sementeira, bairro Km 2, na região central de Petrolina, no Sertão pernambucano. Os envolvidos de terem cometido o crime, José Cícero da Silva e um adolescente, de 17 anos, que era vizinho da criança, apresentaram suas versões dos fatos.

A reconstituição começou por volta das 10h na Praça da Sementeira e só foi concluída perto do meio-dia. Os peritos registravam passo a passo com fotografias e filmagens. A população acompanhou a recomposição do dia do crime e gritava “assassino” para os envolvidos. O adolescente estava com uma touca ninja para esconder o rosto e ambos vestiam colete à prova de balas. Eles foram colocados lado a lado e contaram como atraíram a criança. José Cícero da Silva deu R$ 10 para o adolescente levar o garoto até um terreno no bairro Antônio Cassimiro.
“Isso aconteceu quando estava bêbado. Tinha bebido dois litros de cachaça e fumei maconha. Me sinto arrependido. Matei para ninguém descobrir. A morte foi o adolescente que decidiu comigo. Ele trouxe, ficou olhando e fui eu que fiz o serviço”, confessou José Cícero. Ele afirmou também ter matado o garoto encontrado no bairro Pedra Linda, Pedro Felipe dos Santos, de 9 anos. O corpo da criança foi encontrado em estado de putrefação e com marcas de violência sexual em um matagal no dia 14 de maio deste ano.
A reconstituição teve a participação de cerca de 30 pessoas entre Polícia Civil, Peritos do Instituto de Criminalística e funcionários da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase). O delegado Daniel Moreira explicou como aconteceu o crime. “Eles combinaram que o menor traria a criança para perto da lagoa. O menor foi na frente trazendo a criança por um percurso e o maior veio depois pela Avenida das Nações”, disse o delegado.
Porém no depoimento dos dois há uma divergência nos fatos narrados. “Existe uma discordância no momento final da consumação, tanto do estupro quanto do homicídio. O maior afirma que o adolescente tava todo tempo presente e o menor diz que estava de longe, mas viu o outro abusando, enforcando e jogando na lagoa. A diferença é bem pouca. Esperamos que, com esta reconstituição, os peritos esclareçam qual a versão que apresenta mais verossimilhança”, destacou o delegado Daniel Moreira.
José Cícero mostrou como matou o menino (Foto: Amanda Franco/G1)
 José Cícero mostrou como matou o menino (Foto: Amanda Franco/G1)
De acordo com a delegada Polyanna Nery, o objetivo da reconstituição é aumentar as provas contra os envolvidos. “A gente quer robustecer mais a prova para que ele pegue mais anos de condenação, porque o que se tem é baseado apenas na confissão deles. Precisamos saber se o adolescente participou ou não do homicídio”, disse Polyanna Nery.

A delegada contou ainda que José Cícero já respondia pelo homicídio de uma mulher e explicou como chegou até ele. “Recebemos o informe de que existia um homem na Praça da Sementeira que respondia por homicídio a uma mulher e que já havia informações de que ele abusava de menores. Fomos até a praça e trouxemos o cara até a delegacia. Ele não possuía RG nem CPF. Ele tinha dito que estava na casa da ex-mulher no dia que a criança desapareceu. Fomos até a casa dela e, em conversa informal com a mulher, ela disse que viveu com ele durante seis meses, mas o expulsou de casa após ele ter estuprado seus dois netos, de 8 e 9 anos de idade. Diante disso, voltamos a entrevistar o José Cicero e ele informou que estaria com ela e outra mulher na Praça do Ceape. Mas ele chegou no Ceape às 20h, após o desaparecimento do garoto. Começamos a diligenciar e ouvimos os menores que tinham sido estuprados por José Cícero. Eles disseram que o homem tinha matado a criança do Pedra Linda. Começamos o interrogatório e foi quando apareceu o corpo do Pedro no canal e José Cícero confessou que teria matado. Mas ele disse que não praticou sozinho e apontou o adolescente”, narrou a delegada.
Polyanna destaca que ao todo, José Cícero é suspeito de ter estuprado e matado seis crianças: três em Santa Maria da Boa Vista-PE, duas em Petrolina e uma em Sobradinho-BA. O inquérito já está na justiça e virou um processo. José Cícero da Silva deverá ser levado a júri. O adolescente já está na Funase em Petrolina, mas deverá ser transferido para a unidade em Recife.
Amélia Inácia de Souza acompanhou a reconstituição e disse que conhece tanto o Wallysson Pedro quando o adolescente. “Eu via o homem que matou todo dia aqui e o adolescente trabalhava em frente a casa da mãe do Pedro. Eu o conhecia. Conheço a mãe do menino que morreu. A avó está de dar pena. Estou com um negócio dentro de mim que Deus me livre”, ressaltou.
Envolvidos foram levados para o local onde aconteceu o crime (Foto: Amanda Franco/G1)
Envolvidos foram levados para o local onde aconteceu o crime (Foto: Amanda Franco/G1)
João Bosco Gonzaga mora próximo da Praça da Sementeira e disse que a sensação é de revolta. “Eu tenho neto pequeno, bisneto pequeno e tenho medo de acontecer uma coisa dessas com a minha família. A justiça precisa agir e não tem advogado para tirar esses dois monstros. Do mesmo jeito que fizeram com a criança que estava aqui poderiam fazer com meu filho e com meu neto. Eu confio que a justiça divina vai inspirar a justiça dos homens e eles serão punidos conforme devem ser”, enfatizou o idoso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário