
Reunião serviu para que Renan definisse com os ministros da área econômica e outros uma agenda para a retomada do crescimento econômico e outras reformas que sejam necessárias para o país após a crise Foto: Agência Senado
O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Renan Calheiros
(PMDB-AL), disse nesta terça-feira (11) que “as pessoas perguntam sobre
impedimento, sobre apreciação de contas dos governos anteriores e desse
governo, e eu digo que isso não é prioritário. Porque, na medida que o
Congresso tornar isso prioritário, nós estaremos pondo fogo no Brasil. E
não é isso que a sociedade quer de nós”. Renan fez a declaração após
reunião em sua residência oficial, na qual recebeu diversos ministros do
governo federal.
A reunião serviu para que Renan definisse com os ministros da área
econômica e outros uma agenda para a retomada do crescimento econômico e
outras reformas que sejam necessárias para o país após a crise. Na
opinião dele, essa agenda deve ser ampla a ponto de reunir as forças
políticas em torno dela.
“Eu acho que agenda tem que tratar de tudo, da reforma do estado,
da coalizão, da sustentação congressual. Eu acho que esse modelo
político, essa coalizão, ela já se esgotou no tempo. É preciso dar
fundamento ao ajuste, à agenda da retomada do crescimento, sinalizar
claramente com relação ao futuro do Brasil e construir uma convergência
com relação a esse futuro”, disse o presidente do Senado.
Uma das principais lideranças do PMDB, o senador Romero Jucá (RR)
também participou da reunião com os ministros e disse que a proposta é
que o Senado se encarregue de “capitanear a retomada da animação
econômica”. Ele confirmou que foi convidado para jantar hoje à noite no
Palácio da Alvorada, com a presidenta Dilma Rousseff e outros senadores e
disse que o governo está “procurando construir pontes”.
“Se está procurando construir pontes, vamos ver os termos dessas
pontes. O Congresso tem que procurar colocar aquilo que deseja, aquilo
quer, e a partir daí procurar uma convergência. Eu acho que, no momento
grave que o país está passando, nós temos que procurar construir essa
convergência para superar a dificuldade econômica. Se nós conseguirmos,
vai ser uma vitória da política”, disse Jucá.
Enquanto os dois peemedebistas acertavam um acordo com os ministros
para a agenda de retomada do crescimento, no plenário do Senado
lideranças petistas também fizeram discursos para defender o mandato da
presidenta Dilma. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da
Casa Civil, acusou a oposição de inconformismo com o resultado das
eleições de 2014 e de tentar burlar a Constituição, ao propor, na semana
passada, novas eleições.
“Temos uma presidenta eleita, empossada e no exercício do mandato.
Nossos líderes tucanos não querem o impeachment, mas querem novas
eleições. De preferência, eleições que eles vençam, claro, porque, se
perderem poderemos ter que ouvir novamente todas as desculpas que
estamos ouvindo desde o resultado das urnas, que decepcionou tanto o
PSDB”, disse Gleisi. Ainda segundo ela, desde a eleição do presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a base aliada do governo na Casa está
“desorganizada e mesmo sublevada contra o Executivo”.
O líder do PT, Humberto Costa (PE), ressaltou que estamos passando
por “séria instabilidade política no País, que exige de todas as
Lideranças responsáveis um esforço em favor de uma grande concertação
nacional”. Segundo ele, as empresas já começam a sofrer os efeitos desta
instabilidade e a economia é a mais afetada pelo comportamento
considerado por ele irresponsável.
“Com a anuência do presidente da Câmara dos Deputados, a oposição
quer atacar o governo, aprovando todo tipo de aberração fiscal,
tributária e administrativa, o que poderá inviabilizar o Brasil não
apenas durante este governo, mas durante um longo espaço de tempo para
os próprios governos que venham a suceder o governo da presidenta
Dilma”, disse o líder petista no senado.
Humberto Costa também declarou que a presidenta “não será impedida
de governar. Não pensem que a população vai assistir passivamente uma
presidente eleita legitimamente ser derrubada, que os lutadores sociais,
os militantes, vão para casa colocar o pijama e assistir à novela das
oito. Não, com certeza não irão! Este país viveria uma convulsão porque,
sem legalidade e sem legitimidade, nenhuma coalizão política que
sucedesse Dilma poderia ser aceita pelos brasileiros”, declarou Costa.
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