segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Docentes da Univasf voltam às aulas sem ganhos e após 74 dias em greve

Calendário ainda será discutido no Conselho. Estudantes acreditam que prejuízo pode ser recuperado.


Do G1 Petrolina

Professores da Univasf retornaram nesta segudna-feira (19) (Foto: Amanda Franco/ G1)
Camila e Adriano voltaram otimistas para as aulas (Foto: Amanda Franco/ G1)

Os professores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) retornaram às atividades nesta segunda-feira (19) após 74 dias de greve. Nenhum dos pontos da pauta de reivindicações foi atendido pelo governo federal e o Sindicato dos Docentes da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Sindunivasf) avalia que a mobilização não foi exitosa para os docentes.
As aulas foram suspensas em 23 de julho deste ano. De acordo com o presidente do Sindunivasf, Clébio Ferreira, não houve negociação. “O governo nunca sentou para negociar conosco. Eles insistiram em uma reposição salarial de 10,8% parcelada em quatro anos e depois lançou outra proposta em dois anos. Rejeitamos integralmente a proposta do governo. Se tivéssemos aceitado, estaríamos presos a não realizar novas manifestações até o ano de 2020”, disse o sindicalista.
Entre a pauta de reivindicações estavam a recomposição dos cortes das universidades, o retorno dos terceirizados demitidos, a recomposição da malha salarial, as revisões da estrutura do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos dos docentes, além da paridade entre ativos, pensionistas e aposentados e outros investimentos.
Camila Duarte é estudante do 8º período de Psicologia. Esta é a segunda greve que a estudante enfrenta na Univasf, a última foi em 2012. “Esta não teve tanto prejuízo quanto a primeira. Eu achei que a primeira foi pior porque não tinha terminado o período”, disse Camila, mas destacou que o tempo longe da universidade prejudica no aproveitamento dos conteúdos.
O aluno do 3º período de Medicina, Adriano Alves, acha que os mais de 70 dias em que ficou sem aula poderão ser ajustados para que não tenha prejuízos na conclusão do curso. “Com relação ao internato e à formatura, acho que dá para recuperar dentro do tempo necessário. Isso se a greve não voltar em 2016 e 2017. Este buraco em que o estudante fica ocioso, para voltar, perde o ritmo”, comenta Adriano.
Calendário
O professor Clébio Ferreira explicou que o calendário letivo 2015.2 ainda será discutido pelo Conselho Universitário (Conuni). A Reunião está marcada para a próxima sexta-feira (23). “Propusemos uma data de retorno às aulas que foi aprovada pelo Conselho. Fizemos algumas propostas de calendário que serão votadas na sexta. Feriados, eventos, que muitas vezes paralisam as atividades, também serão incluídos”, explicou Clébio.
Ao todo, os professores precisam repor 74 dias de greve e 100 dias letivos. “Na hipótese mais otimista, o semestre encerra final de março até o início de abril do ano que vem”, disse. Clébio não descarta uma nova possibilidade de greve em 2016, mas acredita que esta seja motivada pelos estudantes. Além do Campus Petrolina, outros cinco campi retomam as aulas nesta segunda-feira.

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